BeOffices Recomenda: Coworkings atraem empresas

 

 

 

Daniel Stain, CEO da Blue Note Rio, conta que estes foram aspectos que o ajudaram a escolher onde instalar sua equipe de oito pessoas.— O custo para alugar a sala no coworking foi praticamente metade de um espaço próprio, pois não é só o valor do aluguel. A manutenção e os funcionários também entram na conta. O ambiente também pesou na decisão, pois há uma troca com outras empresas. Já fechamos parceria com uma agência de turismo para os artistas que trazemos. Mas, se não houvesse uma parte fechada, não teríamos como vir, pois falamos de valores e contratos — diz Stain.

O espaço reservado também foi o que atraiu a filial nacional da consultoria JLL. A empresa, cuja matriz internacional é nos Estados Unidos (a brasileira, em São Paulo), tinha 24 funcionários em um imóvel comercial no Rio e passou há dois meses para o mesmo coworking no Centro.

— Reduzimos o custo em 20%, mas esta não foi a principal causa. Queríamos um espaço com conexão com outras empresas, contrato flexível e fácil de administrar. É como se fôssemos de uma casa, onde há a manutenção, para um hotel com tudo pronto — compara Guilherme Britto de Macedo Soares, diretor de projetos e serviços de desenvolvimento da JLL.

Para ele, uma das razões para o crescimento do coworking entre empresas é a necessidade de o pequeno empresário se ancorar numa empresa maior, e esta, de ter fornecedores diretos e com menos burocracia.

 

A Coworking Brasil fez um levantamento sobre este tipo de escritório e constatou que a quantidade dobrou de 2016 para 2017. Hoje, são 810 espaços de coworking no Brasil, com uma estimativa de circulação de 210 mil pessoas. A pesquisa mostra, ainda, que a maioria dos espaços está nas capitais, em áreas comerciais. Entre os inquilinos, empresas com mais de três funcionários ou sócios já são maioria.

— Em 2017, houve uma mudança do mercado. Antes, era mais focado em espaços compartilhados e agora tem mais salas privativas. Não é só o custo que as atrai, mas a possibilidade de um ambiente de inovação e de conseguir parceiros — afirma Fernando Aguirre, co-fundador do Coworking Brasil.

Bruna Lofego, proprietária da CWK Coworking, com unidades em Minas, Rio e São Paulo e palestrante de cursos sobre o tema, credita à redução de custo a principal razão para a migração das empresas aos coworkings. Para ela, a rede de contatos e parcerias existe, mas são consequências, não fatores determinantes.

— Com a crise financeira, percebi dois movimentos. Um deles é dos profissionais que perderam seus empregos, não conseguiram se relocar, passaram a empreender e viram no coworking uma forma de iniciar o negócio. E a outra é de empresas maiores, até multinacionais, que migraram para reduzir os custos em até 50%. Aquele perfil de quatro anos atrás, mais descolado e de autônomos não deixou de existir, mas um outro, com empresas mais consolidadas, está vindo bem forte — destaca.

O modelo espaço pronto com área comunitária moderna e salas privativas dá certo porque, segundo ela, por mais que queira interagir, o brasileiro não tende a dividir seus projetos

— Tem a barreira de não conseguir pôr em prática o conceito de colaboração — diz ela.

O WeWork, coworking onde funcionam a JLL e o Blue Note Rio, está de olho neste nicho e investindo ainda mais — 30% dos novos clientes são empresas. Segundo Lucas Mendes, diretor da empresa no Brasil, este é um movimento global que deve ganhar força.

Para se adaptar a esta nova demanda, diz, o foco dos espaços é expandir a área de salas privativas. Tanto que, entre os planos da rede, está a aplicar no Brasil um modelo, já em funcionamento nos Estados Unidos: levar o conceito colaborativo para dentro das empresas. É o caminho inverso.

— Tentamos mesclar a cultura da empresa com a da comunidade colaborativa. Para se adaptar a esta demanda nova, o foco é justamente ter escritórios com diferença no mobiliário, como espaço maiores e departamentos integrados. Uma relação de trabalho mais leve nas organizações é a tendência principal, mas a parte econômica tem que fazer sentido — explica o representante no Brasil.

Mendes conta que, entre as demandas relevantes dos clientes, sejam autônomos ou corporações, a principal é ter uma estrutura impecável, com ar, internet e segurança funcionando muito bem. Recentemente, bicicletários e chuveiro também passaram a ser equipamentos importantes:

— Essas são questões que os clientes consideram, não importa se grandes ou pequenos, pois têm buscado qualidade no estilo de vida. Eles também desejam um espaço pra eventos.

 

 

RELAÇÕES DE TRABALHO MAIS FLEXÍVEIS

As mudanças recentes nos espaços de coworking são reflexos de alguns fatores. O primeiro, e mais evidente, é a crise pela qual o país passa e fez da redução de custos uma premissa em qualquer empresa.

A outra revela uma mudança nas relações de trabalho. Cada vez mais, empregos com cargas horárias de 8h às 18h se tornam obsoletos — salvo os que realmente demandam —, e jornadas e escritórios flexíveis ganham espaço (literalmente). A cultura colaborativa também se fortalece neste contexto.

As empresas nos coworkings funcionam de várias formas. Podem, por exemplo, levar apenas um departamento e não a corporação toda. Ou, ainda, alugar por mês, uma sala ou duas, compartilhadas ou não. E, ainda, se for o caso, apenas um espaço para um funcionário que viaja muito. Fica a gosto do cliente.

— Houve uma profissionalização dos espaços de coworking nos últimos anos e isso atrai as empresas. Não se tem mais aquele espaço com apenas mesas e internet, mas um ambiente bem estruturado. Às vezes, vai a empresa toda, mas em outras só algumas áreas, como RH ou marketing — explica Lucas Mendes, da WeWork Brasil.

Um dos desafios que ainda resistem, segundo quem usa estes espaços, é o uso de salas de reunião. O autônomo faz o encontro na cafeteria, por exemplo, caso não haja estrita necessidade de privacidade. Mas e quando é uma empresa com várias pessoas? Este é um ponto que as empresas de coworking precisam adequar daqui para frente.

Outra mudança é em relação às áreas de atuação de quem se instala. Segundo Claudia Klein, especialista em transformação profissional, embora estes sejam locais de trabalho que costumam ter a preferência de setores mais voltados para o digital e inovação, é crescente a mistura.

— Essa foi a grande sacada dos espaços mais novos de coworking. Eles bolaram um espaço compartilhado, mas pensaram nas diferentes etapas do trabalho, usando o design na estética e na funcionalidade. Existem as salas menores, as de reuniões, as maiores e as cabines para conversas telefônicas. Estão considerando vários ângulos do processo de trabalho.

 

INTEGRAÇÃO PROATIVA

Para Guilherme Soares, da JLL consultoria, os coworkings de hoje são como “o Facebook das empresas”, onde importa conectar e ser visto.

— As pessoas querem se conectar. A questão financeira é relevante, mas é ilusão achar que o principal é isto, pois o espaço colaborativo traz resultado para a empresa. O funcionário num ambiente destes produz melhor.

Daniel Stain, CEO da Blue Note Rio, destaca que outro ponto em que os locais de coworking estão apostando é oferecer encontros mais informais nas áreas comuns, como um happy hour, para que as empresas conversem entre si e dali possam, de fato, surgir novos negócios.

— Não é só o ambiente, eles estão fazendo estes movimentos para gerar negócios entre os clientes. Isso é ótimo.

Faz sentido. Apesar do ambiente agradável, com café, chopp, área de lazer e colaboração, ainda é um negócio. E, como tal, no fim do mês é o lucro que importa — para todos.

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